O efeito andorinha

Posted on 12 Setembre 2011

0


 “Nací, crecí y me eduqué en un país caracterizado por la paz, el orden y la garantía de que casi todo lo que podía suceder era previsible. Desde luego todos sabíamos que esta placidez reposaba sobre una violencia inaudita, cuyos orígenes eran complejos y se remontaban a un largo pasado; pero en la calle un velo de discreción parecía cubrir este pasado y los libros de Historia sólo suministraban al respecto datos fríos del rigor académico. Quiero decir que no disponíamos de una narración que nos permitiera reconstruir este pasado como algo vivo y, en consecuencia, reconocernos en él. Por supuesto, cuando empecé a escribir La verdad sobre el caso Savolta no pretendía cubrir esta carencia: ni mi ambición era tan grande, ni mi intención tan precisa; simplemente acometí su escritura movido por este impulso”.

 (La verdad sobre el caso Savolta, Eduardo Mendoza)

 Em defesa própria

O mediocre e fascista ditador que, durante quase 40 años governou Espanha, afirmou sempre que a sua luta foi contra o ‘comunismo’. O alçamento militar do 17 de julho de 1936 tinha sido feito para derrotar à amenaça comunista. Este ditador, ‘Generalíssimo de todos os exércitos’, que governou sem indício algum da piedade cristã a respeito dos derrotados, aniquilou, para além dos campos de concentração e dos fuzilamentos, isto é, para além da eliminação física, toda uma corrente política, cultural e social: o anarquismo.

Com esta finalidade, o ditador utilizou a indiferença, o menosprezo e o esquecimento; também é possível que o ditador, pelo contexto internacional favorável ou por simples ignorancia, sintetizou todos os seus inimigos numa palavra: ‘comunismo’ . Seja como for, o ditador apagou um movimento revolucionário que ultrapassava às pessoas e os nomes particulares, que bebia das teorias e dos movimentos revolucionários do século XIX e que tinha uma fecunda produção teórica sobre questões económicas, sociais, ou da concepção do indivíduo e da sociedade. Ainda hoje, acho, algumas destas questões podem ser aproveitáveis, por exemplo, em relação às questões de género.

Em Catalunha, a princípios do século XX, o sindicato mais importante foi a CNT, Confederación Nacional de Trabajadores, que aglutinou cerca de 500.000 pessoas. Catalunha não era comunista, nunca o tinha sido: nos momentos de crise, o pensamento anarco-sindicalista foi quem abanderou a luta. Eram outros tempos, certamente: as lutas pelos direitos sociais e laborais estavam à ordem do dia.

Nomeadamente, há duas razões principáis que justificam a escolha deste assunto, quer dizer, a relação entre o pensamento de Michel De Certeau com o ideário ácrata: uma é teórica, a outra emotiva.

A razão teórica fundamenta-se numa visão, em essência, optimista de De Certeau respeito à resistência cultural dos subalternos, que acho perto dos ideais que, apenas um século atrás, moveram a muitas pessoas em Catalunha, e em concreto, na sua capital, Barcelona. O pensamento ácrata pode ser caracterizado, sumariamente, na autonomia do individuo, o auto-control, a valorização da cultura (nos seus diversos modos), numa palavra, a resistência.

Por outra parte, há uma razão emotiva, que guarda relação com o mediocre ditador referido anteriormente. A memória histórica deve sobrepor-se ao esquecimento histórico, por justiça ─ sei bem que a ‘justiça’ é un conceito categórico ─ para as pessoas que morreram por defender uns ideais e, sobretudo, porque a memória de uma sociedade permite conhecer-se à própria sociedade. Como diz o próprio De Certeau: “La memoria de las antiguas jugadas es esencial para toda partida de ajedrez” (pág.90).

As pessoas que, no passado, organizaram-se ─ nos ateneus, associações, sindicatos ─ à volta de uma maneira de entender o individuo e a sociedade, merecem ser resgatadas da ignomínia e do esquecimento. Este ensaio é uma primeira tentativa, a minha primeira incursão na profundidade da memória histórica, embora não seja este o objectivo explícito do trabalho. Na Europa do século XXI, com jornadas laborais de 65 horas, talvez não seja um luxo lembrar lutas sociais passadas.

Táticas e estrategias: uma aproximação a Michel De Certeau

 Michel de Certeau (1925-1986) foi historiador (epistemologia, mística e as correntes religiosas dos séculos XVI e XVII), teólogo (jesuita), lingüista e professor de antropologia. Os assuntos fundamentais que De Certeau discorreu foram a escritura da História e a relação entre instituções de conhecimento, sob a influência e o diálogo com o pensamento de Freud, Lacan, Foucault ou Wittgenstein, entre outros autores. L’invention du quotidien. Arts De faire é o produto de uma pesquisa da DGRST (Délégation Générale à la Recherche Scientifique et Technique) para analisar os problemas da cultura e a sociedade francesa nos años 70.

Este trabajo tiene pues por objetivo explicitar las combinatorias operativas que componen también (no es algo exclusivo) una cultura, y exhumar los modelos de acción característicos de los usuarios de quienes se oculta, bajo el sustantivo púdico de consumidores, la condición de dominados (lo que no quiere decir pasivos o dóciles) (…) La “fabricación por descubrir es una producción, una poiética, pero oculta, porque se disemina en las regiones definidas y ocupadas por los sistemas de “producción” (televisada, urbanística, comercial, etcétera) y porque la extensión cada vez más totalitaria de estos sistemas ya no deja a los “consumidores” un espacio donde identificar lo que hacen de los productos (…) pues no se señala con productos propios sino en las maneras de emplear los productos impuestos por el orden económico dominante” (De Certeau, XLII-XLIII)

O eixo central de De Certeau são as maneiras de fazer quotidianas, pois o autor considerava que há uma criatividade escondida no dia-a-dia dos indivíduos, isto é, há uma arte de usar, apossar-se e praticar todo objeto produzido. Segundo De Certeau, as ciencias sociais têm feito das representações e dos comportamentos de uma sociedade o seu objeto de estudo, esquecendo a identificação do uso, a nova leitura que o “consumidor” ─ como o olhar do leitor no lugar do autor ─ faz a respeito dos produtos. Entre a produção e o consumo há um espaço de realização, uma ‘poiética’ disseminada nas maneiras de fazer. Portanto, o “consumidor” metaforiza a ordem dominante, ao tempo que desviar as direções propostas. O “consumidor”, diante à produção racionalizada e massiva, age não com produtos próprios, mas com maneiras de usar os produtos. Michel De Certeau fala das ‘táticas’ e das ‘estratégias’. As primeiras são as batotas, as armadilhas ou, se se prefer, o sentido picaresco que a mulher e o homem do senso comum faz servir no dia-a-dia. O autor francês disse:

Llamo “táctica” a un cálculo que no puede contar con un lugar propio, ni por tanto con una frontera que distinga al otro como una totalidad visible. La táctica no tiene más lugar que el del otro (…) No dispone de una base donde capitalizar sus ventajas, preparar sus expansiones y asegurar una independencia en relación a las circunstancias (…) Necesita constantemente jugar con los acontecimientos para hacer de ellos ocasiones. Sin cesar, el débil debe sacar provecho de fuerzas que le resultan ajenas1(Michel De Certeau, L)

Por outra parte, as “estratégias” têm um lugar próprio, no qual é possível para um indivíduo desenvolver o seu poder e a sua vontade; segundo De Certeau, a racionalidade política, cientista e económica constroi-se nesta perspectiva.

Um amigo brasileiro explicava-me que os escravos dançavam ‘capoeira’ diante do olhar dos seus amos, mas estos não tinham percebido o sentido escondido desta dança: o significado de luta. Os amos tinham uma “estratégia”, um poder, na aparença, total sobre a vida dos escravos, no entanto, os escravos ainda tinham “táticas”. É um exemplo extremo, com certesa, mas clarificador.

Os “consumidores” tomam conta do espaço organizado e modificam as suas funções, graças às maneiras de fazer no interior das estruturas. É este um ponto onde De Certeau não recusa as críticas a autores sagrados como Foucault ou Bourdieu. Segundo De Certeau, os dois autores privilegiam o análise dos sistemas que exercem o poder e os seus efeitos na estrutura social, mas esquecem ─ ou ignoram ─ os procedimentos que têm os indivíduos para jogar com os mecanismos da disciplina, da planficação, dos modos da produção massiva.

Por exemplo, De Certeau critica o conceito de habitus de Bourdieu, por achar que é um “lugar invisible donde (…) las estructuras se invierten al interiorizarse y donde esta escritura se vuelve de nuevo al exteriorizarse bajo la forma de prácticas que tienen la apariencia engañosa de improvisaciones libres” (pág. 67). Quer dizer, são as estruturas as que explicam uma sociedade, e o indivíduo ─ que não conhece o seu próprio conhecimento ─, num sentido extremo, não é mais que um epifenómeno do social. No entanto, Bourdieu não tem medo de ficar apanhado numa espécie de ‘determinismo estrutural inconsciente’: “o bom jogador é o que, segundo o exemplo pascaliano, “coloca melhor” a sua bola ou que se coloca si próprio não onde está a bola, mas no lugar onde ela vai cair. Nos dois casos, o porvir relativamente ao qual ele se determina não é um possível que pode acontecer ou não acontecer, mas qualquer coisa que já aí está na configuração do jogo quer nas posições, quer nas posturas presentes dos parceiros e dos adversários” (Bourdieu, 186). Isto é: o habitus é o processo pelo qual aquilo social é interiorizado pelos indivíduos, logrando que as estruturas objetivas concordem com as subjetivas. Mas, segundo De Certeau, o habitus permite a Bourdieu o meio para explicar tudo, de uma maneira fechada e organicista; ainda quando tem de dar contas de mudanças no habitus, pode dizer que novas práticas sociais permitem resstruturar o habitus.

Na minha opinão, tudo reduze-se à idea da liberdade e às leis de necessidade.

Uma maneira de (não) fazer. ‘El Fórum de les Cultures 2004’: Requalificação, legitimação e estratégia

Manuel Delgado, antropólogo catalão, explica no seu libro ‘Elogi al vianant: Del “model Barcelona” a la Barcelona real’ como a monitorização quase total do espaço público pelo poder político e económico não pode limitar (como diz Giddens, todo constrangimento també significa oportunidade) as interpretações criativas dos indivíduos. Delgado fala do ‘burburinho das rúas’, enquanto Michel de Certeau fala dos ‘andares na cidade’. O autor francês explica que um ‘espaço’ ─a diferença de ‘lugar’─ é o entrecruzamento de movilidades: vetores de direção, velocidade e variavel de tempo. Então, a rúa “ geométricamene definida por el urbanismo se transforma en espacio por intervención de los caminantes” (De Certeau, 129).

O evento do Fòrum de las Culturas 2004, na Barcelona, pode ser analisado quer como uma operação urbanística, quer no seu discurso de legitimação (política) acerca da ‘Cultura’, ou mais corretamente, ‘Culturas’. No entanto, vou escrever sem distinção sobre as duas dimensões, porque considero que elas partilham vasos comunicantes.

(…) El cas del Fòrum de les Cultures, l’extravagant macroespectacle celebrat a Barcelona entre el 6 de maig i el 26 de setembre del 2004, és l’expressió màxima ─difícilment superable─ de l’ús de coartades culturals per legitimar grans operacions urbanístiques, en aquest cas derivades de la prolongació de la Diagonal fins al Mar i el nou skyline barceloní a la desembocadura del riu Besós (…) A més d’urbanístic, l’objectiu d’aquest èmfasi en els grans conjunts culturals és també polític, en el sentit que cerca produir centralització, participació simbòlica i una identitat avinent amb els interessos hegemònics” (Delgado, 63)

Isto é, nada novo em relação às aulas de ‘Políticas culturais e modos de vida urbanos”: os grandes equipamentos culturais permitem fazer uma inversão e dinamização económica, nos setores do turismo e da construção, das cidades, ora em paisagems industriais abandonados, ora nos centros históricos a reformar. Podemos afirmar que esta é a estratégia do poder urbanístico e político, quer dizer, o poder económico, já que aquilo que reproduze-se, em última instância, é sempre dinheiro.

Mas, para interesse deste ensaio, quê táticas foram seguidas pelos cidadaõs de uma Barcelona onde o diálogo intercultural, a paz, a sostenibilidade, foram utilizados pelos políticos como atração e propaganda?

Primeiro, há-de explicar-se que, como diz Delgado, o discurso dos criadores e promotores do Fórum tinham procurado beber do ambiente de Barcelona antes do 2004, isto é: manifestações contra a política do PP, a guerra de Iraq, a reunião europea do 2002, o desastre ecológico do ‘Prestige’ e do atentado terrorista no 11-M. Os cérebros do Fórum desenvolviam uma estratégia na qual tinham tentado apresentar estas manifestações como “part de la imatge publicitària de Barcelona en qualitat de capital de les mobilitzacions ciutadanes positives, apropiant-se en molts casos de l’acció de moviments socials que existien i produïen consciència i pràctica política al marge o en contra de les institucions2” (Delgado, 84). Esta estratégia, porém, tinha inevitávelmente uma vida curta: apresentar uma cidade como uma ‘heterotopia’ ─uma utopia realizada─ baseada no diálago e na sostenibilidade, ou na paz, enquanto os cidadãos, mesmo as associações de vizinhos, protestam contra as políticas urbanísticas, leis sociais3 e, também, contra a monitarização do espaço público pelas autoridades, não pode ter uma vida muita longa. Contudo, Manuel Delgado o explica desta maneira:

En realitat, dins mateix de la ja de per si esquifida esfera de les impugnacions i matissacions del projecte del Fòrum ─si més no abans que esclatés la evidència del seu fracàs─, poques van ser les que denunciaren no tan sols els projectes urbanístics en marxa a l’aixopluc del Fòrum, sinó la manera com els seus arguments de partida i d’arribada expressavem immillorablement el llenguatge i la ideologia del tardo-capitalisme, sobretot, pel que fa a la invocació de nocions-fetitxes, com veiem al principi que eren les de pau, sostenibilitat, diàleg, multiculturalisme, etc., tots aquells principis “obvis” a priori ─i per tant inexpugnables─ en que es fonamenta el que Santiago López Petit, entre d’altres, ha designat encertadament referint-se justament al Fòrum 2004, com a “feixisme pos-modern”. I, en canvi, era aquest aspecte discursiu el que més vulnerable resultava a la crítica política a fons, car implicava un desmantellament i una deslegitimació frontals de les pretensions oficials de fer de Barcelona “una capital mundial del diàleg” i un “punt d’encontre entre els pobles i les idees”. En efecte, el que no es podia suportar era la inmensa distància que separava l’altisonància retòrica i buida de les crides oficials a un ecumene còsmic fet de bons desitjosi grandiloqüents idees, i la realitat ja no de la ciutat i del país que acollia l’esdeveniment, sinó de les mateixes condicions que estaven envoltant i orientant la mateixa concepció teòrica i física del Fòrum” (Delgado, 86)

O fracasso do Fòrum foi reflexado em dois sentidos: por um lado, ao nivel local, a rejeição dos cidadãos e dos movimentos sociais de Barcelona, com táticas de subversão, sabotagem e mesmo de indiferença; por outro lado, a nivel global, a rejeição dos líderes do movimento antiglobalização, como Jose Bové, Noam Chomsky ou Naomi Klein. Isto explica-se, na minha opinão, por uma percepção dos cidadãos alheia ao evento, quer dizer, uma legitimação4 do seu universo simbólico muito fraca: o discurso hegemónico e ‘integrador’ do Fòrum das Culturas é percebido como uma falsidade evidente, no momento que outro discurso ─ainda nem seja mediático, nem poda ser hegemónico, mas sim fonte de cidadãos de pé─ apresenta um universo simbólico alternativo, pois só a sua própria presença é uma amenaça ao discurso hegemónico: a visão das coisas pode ser diferente. Ainda mais, seja como for, os interesses económicos e urbanísticos foram grandes demais para que os cidadãos comums não repararam em eles.

 O efeito andorinha: conjecturas no final de um tempo

Não é possível apanhar uma andorinha,

A não ser que ela venha a pousar na nossa mão’

Guerra e Paz’, Leão Tolstoi

No céu de Coimbra, antes do entardecer, muitas vezes é possível admirar o espectáculo dos pássaros voar, enquanto o crepúsculo chega. Mas não todos os pássaros são iguais: há pombas, andorinhas e uma espécie de grande ave de rapina, que talvez sejam águias.

As águias voam em grande altitude, desde onde podem vigiar e castigar. O seu vôo é majestoso, com as suas grandes asas estendidas, e a sua prenseça no céu é a imagem certa de um poder hegemónico e total.

Quando as águias estam a voar, não é possível encontrar uma pomba que se atreva a fazer o mesmo: todas ficam nas cornijas dos edifícios, escondidas.

No entanto, as andorinhas voam sem medo, de uma maneira caótica, sem ordem. Parece que não as importa nada o poder e a hegemonia celeste das águias. É possível que um ornitologista seja capaz de escrever e desenhar as trajetórias ─o ziguizague, as viradas─ do vôo de uma só andorinha e dizer quê faz que o passarinho tenha esta trajetória e não outra, mas para o olho inesperto, as trajetórias das andorinhas são simplesmente o produto do caos, da improvisação e do individualismo mais radical. As andorinhas são escorregadias e safam-se do perigo das águias, também porque, para as aves de rapina, uma andorinha pode supor muito esforço para tão pouco prêmio. A luta pelo poder não é uma soma com resultado zero: sempre há disputa, dinâmica.

É, finalmente, importante chamar a atenção sobre o facto que, embora os vôos das andorinhas assemelhem-se ao caos pelo individualismo, acontece que todas as andorinhas juntas vão embora e desaparecem ao mesmo tempo…

Talvez este ensaio tenha un problema principal (e outros secundários): o problema da coerência. Os trabalhos académicos e cientistas devem proporcionar conhecimento novo, preencher um espaço vazio, e evitar o plágio. Neste ensaio só um dos dois objetivos foi atingido. Em referência à coerência do ensaio (ou à ausência dela), acho que a minha explicação sobre ‘o efeito andorinha’ podera resultar esclarecedora: são os movimentos individuais que configuram um movimento diferente e mais grande, colectivo, que é caracterizado por: primeiro, os movimentos individuais são feitos des de a fraqueza, quer dizer, são táticas ─no sentido explicado de De Certeu─, e segundo, se os movimentos individuais respondem a necessidade de aproveitar a própria fraqueza, o movimento colectivo é uma estratégia ─também no sentido De Certeau─ que procura o bem-estar de todas as andorinhas.

Bibliografia

Aibar, E. et al. El fascismo pos-moderno Atenea Digital, nº 5 http://www.espaienblanc.com

Aisa, F. La cultura anarquista a Catalunya, Edicions de 1984, Barcelona 2006

Berger, P. Luckmann, T. La construcción social de la realidad Amorrortu Editores, Buenos Aires 2003

Bourdieu, P. Meditações pascalianas, Celta Editora, Oiras 1998

De Certeau, M. La invención de lo cotidiano. Artes de hacer, Universidad Iberoamericana, México 2007

Delgado,M. Elogi del vianant. Del “model Barcelona” a la Barcelona real Edicions de 1984, Barcelona 2005

Fernández Christlieb, P. La Sociedad Mental, Antrhopos Editorial, Barcelona 2004

1 Os itálicos são meus.

2 As acções do movimento ‘okupa’ são um bom exemplo desta paradoxa.

3 A ‘ordenança cívica’ da Câmara Municipal de Barcelona ainda hoje gera conflito: no uso do espaço público, em particular.

4 No sentido de Berger e Luckmann em La construcción social de la realidad, pags. 118-120

Posted in: Article, La Fleca